Posts Tagged ‘orgasmo’

Sexo não é só técnica, é emoção. Durante anos as mulheres foram levadas a acreditar que não eram tão ligadas ao sexo quanto os homens.

Sexo é emoção!

Alain de Botton , filósofo que desde 2008 comanda a School of Life (“Escola da Vida”) diz que, “Apesar de ser uma das atividades mais íntimas do ser humano, as relações sexuais são cercadas de preconceitos sobre como devemos lidar ou nos sentir em relação a ela. A verdade é que poucos de nós somos realmente “normais” sexualmente. Estamos quase sempre cercados de culpa, neuroses, fobias e desejos “estranhos”. (…) Nos torturamos acreditando que outras pessoas lidam melhor com o tema do que nós.”

A psicóloga especialista em sexualidade e comunicadora social Laura Muller (sexóloga do programa Altas Horas), explica como ser feliz na cama em qualquer idade.

Mulheres, sexo e idade…

Aos 20, os temores são…

  • Não agradar: Encantar o parceiro parece prioritário quando a gente acabou de sair da adolescência. Tudo ainda é muito novo: o sexo, os ficantes, namorados, o jeito de ser mulher, de lidar com os sentimentos. A ideia central costuma ser dar prazer ao outro. Por isso, o receio de não satisfazer o homem leva a mulher a topar coisas que muitas vezes não está nem um pouco a fim. Sexo a três é um exemplo. Relação anal, para muitas delas, é outro.

Conselho de Laura: “Desista de agradar ao outro a toda hora. É uma meta fora da realidade, inalcançável. Agradar quando for possível talvez já seja o bastante”.

  • Não ser perfeita: Nesta primeira década da vida adulta, a busca pela perfeição atinge vários aspectos, como o trabalho, a aparência etc. Na cama, isso inclui variar posições, manter o desejo em alta, dar e sentir prazer. E se alguma coisa falhar? Se faltar tesão, se você não curtir a penetração ou o sexo oral? Socorro! Dá medo. De quê? De que aquela fantasia, cultivada desde a adolescência, da transa perfeita, maravilhosa e ideal comece a desmoronar.

Conselho de Laura: “Deixe, sim, que os ideais desmoronem. Nada é perfeito. Essa busca da perfeição é insana e sempre será insatisfatória. Renuncie já a ela. Você verá que, assim, as coisas ficam mais leves. E bem mais gostosas!”

Aos 30, os temores são…

  • Não ter orgasmo: Já faz um tempo que o fato de a mulher atingir ou não o clímax é motivo de dor de cabeça entre casais. Cerca de 30% das mulheres têm dificuldade para chegar lá. Fingir é péssima escolha: assim se perde a oportunidade de encontrar o caminho para virar o jogo.

Conselho de Laura: “Procure se conhecer melhor. Orgasmo é questão de aprendizado e descoberta. E busque a ajuda de um psicólogo se quiser aprofundar as questões emocionais que podem estar impedindo o seu prazer”.

  • Ser trocada: Entre os 30 e 40 anos, o temor de perder o parceiro para uma mulher mais jovem pode deixar você insegura e comprometer sua espontaneidade na cama. É preciso entender, porém, que a vida passa e, se tudo correr bem, a gente chega à velhice. Sim, há mudanças corporais e também emocionais. Mas quem não aceita nem valoriza esta etapa pode se sentir ameaçada e acabar fantasiando esse abandono por causa de uma jovem.

Conselho de Laura: “Cabe a cada mulher valorizar seu corpo e sua história. Mesmo que você veja em todo canto homens de 40 (ou mais) com mulheres de 20 anos (ou menos!), pergunte a si mesma: “Será que esse é o homem que eu quero?”

Aos 40, os temores são…

  • Não ser desejável: Sim, você chegou à fase dos 40 e seu corpo mudou. Está insatisfeita? É possível cuidar um pouco mais da saúde e da aparência? Se for, que bom! Investir nisso faz a gente se sentir bem. O problema é depositar todas as fichas na aparência e achar que a vida amorosa e sexual se baseia apenas no aspecto físico. É terreno fértil para aumentar a insegurança de não mais despertar desejo no parceiro. E engolir o seu prazer, a sua autoestima.

Conselho de Laura: “Pense na estrada que você trilhou, com todos os aprendizados, as descobertas e conquistas. Esse conjunto compõe a pessoa que você é. E esse seu jeito de ser por completo é que falará mais alto no momento do desejo”.

  • Não namorar: É nesta fase que muitos casais se separam. Surge o desafio do recomeço: de conhecer novas pessoas, encontrar outros rumos, iniciar relacionamentos. Muitas vezes o homem especial para namorar – ou casar – custa a aparecer.

Conselho de Laura: “Abra-se para aqueles relacionamentos que, de fato, valem a pena. E se eles não se revelarem tão bons assim? Não tem problema: parta para outras experiências. Afinal, a possibilidade de se movimentar e de fazer as próprias escolhas é a graça da vida adulta, não é mesmo?”

Aos 50+, os temores são…

  • Perder o prazer: Aos 50, a menstruação falha ou para, e uma série de mudanças no corpo e também nas emoções se inicia, ditada pelas alterações hormonais da menopausa. A vagina às vezes não produz tanta lubrificação; o desejo não vem com a mesma intensidade; o orgasmo custa mais a ser alcançado. E bate o temor de não ser feliz na cama; de doer; de o sexo perder a graça; de ficar tão irritada a ponto de não suportar a presença de um homem ao lado.

Conselho de Laura: “Há tratamentos para amenizar os sintomas da menopausa – veja com o ginecologista. E lembre-se de que sexo começa na cabeça: tenha abertura para se adaptar a essas mudanças, retomando sua segurança, e seu prazer não irá embora”.

  • Ficar nua: Tirar a roupa na frente de um homem pode ser uma delícia. Mas não quando a gente teme decepcioná-lo. Muitas vezes esquecemos que uma mulher de 50 anos tem o corpo de uma mulher de 50 anos. Assim como a de 20 aparenta 20. Claro que podemos cuidar da saúde e do visual para viver bem em todas as faixas etárias. Mas não adianta querer ser o que não é. Talvez mais interessante seja saborear o que cada fase traz.

Conselho de Laura: “Tenha em mente que sexo é mais do que um corpo transando com outro. É você, como um todo, com seu repertório pessoal, se relacionando com o parceiro e a história.” dele. Esse olhar enriquece a relação e mostra que somos humanos, passíveis de falhas. Talvez isso nos ensine a deixar os temores de lado”.

SEJA FELIZ aos 20, 30, 40, 50…

(Fonte: Entrevistas na revista Cláudia e Marie Claire)

Menu
Tags
Seguir
Curtir